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Açúcares, energia, nutrientes e estado redox modificam a ação hormonal, enquanto os hormônios reorganizam o metabolismo para coordenar crescimento e adaptação ao estresse

Uma aplicação de regulador vegetal pode estimular crescimento em determinada área e produzir uma resposta discreta em outra, mesmo quando a cultura, a dose e o estádio fenológico parecem semelhantes.

 

Parte dessa diferença pode estar na absorção, no clima ou na tecnologia de aplicação. Existe, porém, uma camada fisiológica ainda mais profunda: o estado metabólico da planta no momento em que o sinal hormonal é percebido.

 

Uma célula com carbono, energia, nitrogênio e poder redutor disponíveis pode responder à auxina, à citocinina, à giberelina ou aos brassinosteroides aumentando divisão, expansão e síntese de novas estruturas. A mesma sinalização, em uma célula com baixa energia, pouca disponibilidade de açúcares ou forte desequilíbrio oxidativo, pode ser reduzida, redirecionada ou substituída por programas de conservação.

 

Isso acontece porque os hormônios não atuam sobre uma estrutura vazia. Eles operam dentro de uma rede que já contém açúcares, aminoácidos, ácidos orgânicos, lipídios, espécies reativas de oxigênio, enzimas, transportadores e sensores de energia.

 

A interação também ocorre no sentido inverso. Os hormônios reorganizam a fotossíntese, a respiração, o transporte de açúcares, a assimilação de nitrogênio, a defesa antioxidante e a produção de metabólitos especializados.

 

Portanto, a resposta vegetal não pode ser explicada apenas por uma sequência linear:

O funcionamento da planta se aproxima mais de uma rede bidirecional:

 

Hormônios reorganizam o metabolismo

O metabolismo modifica a resposta hormonal

 

Auxina, giberelinas, citocininas, ácido abscísico, etileno, jasmonatos, ácido salicílico, brassinosteroides e strigolactonas utilizam rotas diferentes de percepção, mas compartilham uma mesma infraestrutura de carbono, nitrogênio, energia e controle redox.

A planta não responde apenas ao hormônio presente. Ela responde ao hormônio dentro das condições metabólicas que tornam aquela resposta possível.

Neste artigo, você vai entender

  • por que hormônios e metabolismo não funcionam separadamente;
  • como açúcares e sensores de energia influenciam o crescimento;
  • de que forma os hormônios redirecionam carbono, nitrogênio e defesa;
  • por que o mesmo sinal hormonal pode produzir respostas diferentes;
  • como a integração muda a interpretação de reguladores e bioestimulantes;
  • quais variáveis precisam ser avaliadas para comprovar uma resposta fisiológica.

Hormônios não funcionam como comandos isolados

Os hormônios vegetais possuem rotas próprias de síntese, transporte, percepção e degradação. Essas rotas são importantes para entender os mecanismos individuais, mas não funcionam de maneira independente dentro da planta.

Em um meristema radicular, por exemplo, podem atuar simultaneamente:

  • auxina orientando divisão, alongamento e diferenciação;
  • citocininas regulando a manutenção do meristema;
  • ácido abscísico respondendo ao estado hídrico;
  • etileno alterando o crescimento e a formação de raízes laterais;
  • strigolactonas sinalizando a disponibilidade de nutrientes;
  • sacarose abastecendo o tecido;
  • TOR favorecendo síntese e crescimento;
  • SnRK1 restringindo o consumo de energia.

A resposta final não pertence exclusivamente a nenhuma dessas vias. Ela emerge da combinação dos sinais presentes, da capacidade do tecido de percebê-los e dos recursos disponíveis para executar a resposta.

Conceito-chave

Os hormônios informam o que a planta deveria fazer. O metabolismo informa se existem recursos e condições para realizar essa decisão.

Uma sinalização de crescimento pode estar ativa, mas a célula não produzirá proteínas, membranas e paredes celulares sem carbono, ATP, nitrogênio e poder redutor.

O inverso também é verdadeiro. A presença de açúcares e nutrientes não provoca crescimento ilimitado. O tecido precisa receber sinais de posição, desenvolvimento, luz, água e demanda dos órgãos.

Hormônios e metabolismo funcionam, portanto, como duas partes de um mesmo sistema de decisão.

A comunicação entre hormônios e metabolismo ocorre nos dois sentidos

Hormônios reorganizam o metabolismo

Quando um hormônio é percebido, a resposta não se limita à ativação de determinados genes.

A planta pode modificar rapidamente:

  • atividade de enzimas;
  • estabilidade de proteínas;
  • transporte de metabólitos;
  • abertura de canais;
  • localização de transportadores;
  • consumo de reservas;
  • divisão do carbono entre crescimento, armazenamento e defesa.

As giberelinas, por exemplo, participam da mobilização de reservas durante a germinação e aumentam a capacidade de dreno de tecidos em crescimento.

A auxina influencia o transporte de açúcares, a glicólise, a respiração e a construção da parede celular.

O ácido abscísico reduz transpiração e crescimento enquanto favorece conservação de recursos, ajuste osmótico e proteção celular.

Os jasmonatos direcionam carbono, nitrogênio e aminoácidos para a formação de compostos defensivos.

As citocininas modificam a atividade dos meristemas, a formação de cloroplastos e a assimilação de nutrientes.

Essas respostas mostram que a atuação hormonal não é apenas regulatória no sentido abstrato. Ela altera o destino real do carbono, da energia e dos nutrientes dentro da planta.

Metabólitos também modificam a resposta hormonal

A relação inversa é igualmente importante.

Sacarose, glicose, trealose-6-fosfato, aminoácidos, ácidos orgânicos, glutationa e espécies reativas de oxigênio podem influenciar:

  • produção hormonal;
  • transporte entre células e órgãos;
  • estabilidade dos hormônios;
  • atividade dos receptores;
  • intensidade da sinalização;
  • degradação dos repressores;
  • atividade dos fatores de transcrição.

Alguns metabólitos são precursores diretos.

O triptofano participa da principal rota de síntese do ácido indolacético, a auxina mais estudada.

A metionina origina a S-adenosilmetionina e o ACC, componentes da rota do etileno.

Carotenoides fornecem precursores para o ácido abscísico e as strigolactonas.

Ácidos graxos presentes nas membranas dão origem aos jasmonatos.

Outros metabólitos funcionam como informações sobre o estado fisiológico da planta.

A sacarose informa disponibilidade e transporte de carbono. A trealose-6-fosfato ajuda a indicar o estado da sacarose. O 2-oxoglutarato conecta o metabolismo do carbono à assimilação de nitrogênio. A glutationa e o ascorbato refletem o equilíbrio redox. As espécies reativas de oxigênio podem atuar como sinais ou provocar dano, dependendo de onde são produzidas, de sua intensidade e da capacidade antioxidante do tecido.

Figura 1. A comunicação bidirecional entre hormônios e metabolismo
Figura 1. Hormônios alteram fluxos de carbono, nitrogênio, lipídios e defesa. Ao mesmo tempo, metabólitos, energia e estado redox determinam a intensidade e a duração das respostas hormonais.

T6P, SnRK1 e TOR: o centro de decisão metabólica

Entre as diferentes conexões conhecidas, o eixo formado por sacarose, trealose-6-fosfato, SnRK1 e TOR ocupa posição central.

Sacarose não é apenas combustível

A sacarose transporta carbono das folhas fotossinteticamente ativas para raízes, meristemas, frutos, sementes e demais drenos.

Seu papel, porém, não é apenas fornecer energia e estruturas de carbono. A concentração e o fluxo de sacarose também informam quanto carbono está disponível e onde existe demanda.

Uma das moléculas que traduz essa informação é a trealose-6-fosfato, ou T6P.

A concentração de T6P costuma acompanhar o estado da sacarose. Quando a oferta de carbono aumenta, a T6P ajuda a indicar que existem condições para sustentar crescimento, enchimento, formação de órgãos ou armazenamento.

Isso não significa que a T6P seja apenas uma medida passiva. Ela participa da regulação do uso da sacarose e interfere em sistemas de crescimento e conservação.

TOR favorece crescimento quando existem recursos

TOR é uma proteína quinase que integra sinais de:

  • carbono;
  • energia;
  • nutrientes;
  • luz;
  • hormônios;
  • estado celular.

Quando as condições são favoráveis, TOR estimula:

  • tradução de proteínas;
  • formação de ribossomos;
  • atividade do ciclo celular;
  • síntese de componentes celulares;
  • expansão e crescimento.

TOR funciona como uma autorização metabólica para investir recursos na construção de biomassa.

SnRK1 predomina quando a energia se torna limitada

SnRK1 participa da percepção de restrição energética.

Quando a planta enfrenta baixa disponibilidade de carbono, sombreamento prolongado, hipoxia ou estresse intenso, SnRK1 favorece:

  • mobilização de reservas;
  • reciclagem de componentes celulares;
  • autofagia;
  • redução da síntese de novas estruturas;
  • expressão de genes de sobrevivência;
  • conservação de ATP.

TOR e SnRK1 são frequentemente apresentados como sistemas opostos. Essa interpretação é útil, mas incompleta.

A atividade de ambos pode variar entre tecidos, células e compartimentos. Uma raiz em recuperação pode manter atividades de crescimento enquanto uma folha severamente estressada intensifica conservação e reciclagem.

A resposta não funciona como um único interruptor para toda a planta.

O eixo ABA-SnRK1-TOR

A interação com o ácido abscísico mostra claramente como a sinalização hormonal modifica a decisão metabólica.

Sob déficit hídrico, o ABA ativa seu sistema de percepção e sinalização. Essa resposta pode favorecer a atividade de SnRK1, restringir TOR e reduzir a divisão celular nos meristemas.

A planta pode, portanto, suspender parte do crescimento antes de esgotar completamente suas reservas.

Essa é uma decisão preventiva: diante do risco de perda de água e energia, o tecido reduz o consumo antes que o sistema entre em colapso.

Crescer não depende apenas da presença de um hormônio promotor. Depende da autorização metabólica para gastar carbono, nitrogênio e energia.
Figura 2. O centro de decisão entre crescimento e conservação
Figura 2. Sacarose e T6P informam a disponibilidade de carbono. TOR favorece biossíntese e crescimento, enquanto SnRK1 promove conservação sob restrição energética. O ABA pode deslocar essa decisão em direção à proteção.

Como os diferentes eixos hormonais reorganizam o metabolismo

A planta não possui um grupo de hormônios exclusivamente destinado ao crescimento e outro exclusivamente destinado ao estresse.

As funções dependem do tecido, da concentração, do momento e das interações presentes.

Auxina, giberelinas, citocininas e brassinosteroides

Esses hormônios estão frequentemente associados à divisão, expansão, diferenciação e formação de novos órgãos.

A auxina favorece expansão celular, formação vascular, atividade de drenos e organização da arquitetura radicular. Açúcares e TOR, por sua vez, podem modificar sua síntese, seu transporte e a sensibilidade dos tecidos.

As giberelinas favorecem alongamento, germinação, mobilização de reservas e crescimento reprodutivo. Sua ação depende da degradação das proteínas DELLA, que restringem o crescimento e interagem com reguladores de luz, defesa e metabolismo.

As citocininas participam da divisão celular, da manutenção dos meristemas, da formação de cloroplastos e da assimilação de nutrientes. Sua produção e sua ação respondem à disponibilidade de nitrato, enxofre e açúcares.

Os brassinosteroides favorecem expansão, diferenciação vascular e síntese de parede celular. Sua sinalização converge com glicose, TOR, auxina, luz e estado redox.

Esses hormônios não criam crescimento independentemente dos recursos. Eles ajudam a organizar onde e como esses recursos serão usados.

Ácido abscísico: conservação e proteção

O ABA está associado ao controle da perda de água, à dormência e à adaptação ao déficit hídrico.

Sob seca, sua ação modifica:

  • abertura estomática;
  • assimilação de carbono;
  • mobilização de reservas;
  • produção de prolina e outros osmólitos;
  • metabolismo de aminoácidos;
  • atividade respiratória;
  • equilíbrio antioxidante;
  • crescimento dos meristemas.

O objetivo não é apenas interromper o crescimento. A planta redistribui recursos para preservar membranas, proteínas, água e capacidade de recuperação.

Essa proteção, porém, possui custo. Uma resposta muito intensa ou prolongada pode reduzir entrada de CO₂, expansão foliar, floração e enchimento de frutos ou grãos.

Jasmonatos, ácido salicílico e etileno

Os jasmonatos conectam dano e herbivoria ao metabolismo de lipídios, aminoácidos e compostos especializados.

A ativação dessa via pode aumentar glucosinolatos, fenólicos, inibidores de proteases e compostos voláteis. A produção dessas defesas, entretanto, consome carbono, nitrogênio e energia.

O ácido salicílico participa especialmente das respostas contra determinados grupos de patógenos e da resistência sistêmica. Sua atividade está conectada ao metabolismo do cloroplasto, aos açúcares e ao estado da glutationa e do ascorbato.

O etileno integra amadurecimento, senescência, abscisão, hipoxia e respostas ao estresse. Sua síntese depende da metionina, enquanto açúcares e energia modificam sua produção e a estabilidade de componentes de sua sinalização.

O antagonismo entre jasmonato e ácido salicílico não é absoluto. Conforme o organismo, o tecido, a sequência dos eventos e a disponibilidade de recursos, podem ocorrer antagonismo, cooperação ou respostas parcialmente independentes.

Estrigolactonas, nutrientes e arquitetura

As estrigolactonas ajudam a coordenar ramificação, crescimento radicular e interação com fungos micorrízicos.

Sua produção aumenta especialmente quando fósforo ou nitrogênio se tornam limitantes. A planta reduz a emissão de novos ramos e favorece estratégias que podem ampliar a exploração do solo.

A sacarose e a T6P também interferem no desenvolvimento das gemas laterais. Surge, portanto, uma disputa entre o sinal de disponibilidade de carbono e a sinalização hormonal que restringe a ramificação.

A arquitetura final resulta do balanço entre:

  • carbono disponível;
  • nutrientes;
  • demanda dos drenos;
  • atividade das gemas;
  • auxina;
  • citocininas;
  • estrigolactonas.

E a fitomelatonina?

A fitomelatonina conecta o metabolismo do triptofano à sinalização por cálcio, espécies reativas de oxigênio, defesa antioxidante e interação com diferentes hormônios.

 

Ela pode modificar fotossíntese, metabolismo de carboidratos e nitrogênio, estabilidade das membranas e acúmulo de compostos especializados.

 

Sua classificação como hormônio vegetal equivalente às classes clássicas ainda apresenta pontos de discussão. Por isso, é mais seguro tratá-la como um metabólito regulador com ampla atividade sinalizadora.

 

Sua atuação também depende do contexto. Em determinadas condições, pode reduzir o acúmulo de ABA; em outras, pode cooperar com respostas dependentes de ABA, etileno, citocininas ou jasmonatos.

O que acontece quando a planta entra em estresse?

A integração hormonal e metabólica ocorre em diferentes escalas de tempo.

Sob déficit hídrico, por exemplo, a resposta pode evoluir da seguinte forma.

Primeiros minutos

  • alteração do estado hídrico;
  • sinais de cálcio;
  • produção controlada de espécies reativas de oxigênio;
  • fosforilação de canais e proteínas;
  • redução inicial da abertura estomática.

Minutos a horas

  • aumento da síntese e da sinalização por ABA;
  • ativação de SnRK2 e SnRK1;
  • restrição de TOR;
  • redução da entrada de CO₂;
  • alteração no transporte de sacarose;
  • início do ajuste osmótico.

Horas a dias

  • acúmulo de prolina e açúcares solúveis;
  • mudança no metabolismo de aminoácidos;
  • intensificação da defesa antioxidante;
  • mobilização de reservas;
  • redução do crescimento foliar;
  • alteração da relação entre raízes e parte aérea.

Estresse prolongado

  • senescência de tecidos;
  • abscisão de flores ou frutos;
  • redução da área foliar;
  • limitação do enchimento;
  • mudança permanente da arquitetura;
  • comprometimento da recuperação.

Uma amostragem realizada apenas no final não consegue separar o sinal inicial, a resposta protetora e o dano acumulado.

A concentração elevada de um metabólito pode representar:

  • um sinal que iniciou a resposta;
  • um mecanismo de proteção;
  • uma reserva mobilizada;
  • uma consequência do dano;
  • uma combinação desses processos.

Por isso, o momento da medição é tão importante quanto a variável medida.

Figura 3. Como a resposta hormonal e metabólica evolui durante o estresse
Figura 3. A resposta começa com sinais rápidos de cálcio, ROS e fosforilação, avança para reprogramação hormonal e metabólica e, quando o estresse persiste, modifica crescimento, arquitetura e produtividade.

Por que a mesma concentração hormonal pode produzir respostas diferentes?

A quantidade de um hormônio não determina sozinha o resultado.

A resposta também depende de:

  • quantidade e localização dos receptores;
  • presença de repressores;
  • atividade de quinases e fosfatases;
  • capacidade de degradar ou conjugar o hormônio;
  • tecido e tipo celular;
  • fase de desenvolvimento;
  • disponibilidade de sacarose e ATP;
  • estado do sistema redox;
  • interação com outros hormônios.

Uma folha adulta, uma gema, um meristema radicular e uma flor podem receber sinais semelhantes e apresentar respostas completamente diferentes.

Isso ocorre porque cada tecido possui:

  • metabolismo próprio;
  • receptores em diferentes quantidades;
  • combinações específicas de fatores de transcrição;
  • demanda distinta por carbono e nutrientes;
  • posição diferente na relação fonte-dreno.

As médias obtidas em uma folha inteira também podem esconder respostas intensas em apenas algumas células.

Um aumento no teor de ABA do tecido, por exemplo, não informa sozinho:

  • onde o hormônio foi produzido;
  • para quais células foi transportado;
  • quais receptores estavam ativos;
  • se SnRK2, SnRK1 ou TOR foram modificados;
  • se havia energia para executar a resposta;
  • se a alteração foi protetora ou já acompanhava dano.

A resposta hormonal deve ser entendida como estado de sinalização, e não apenas como concentração.

Implicações práticas

Aplicar um hormônio não significa controlar toda a resposta

Uma aplicação exógena modifica apenas parte da rede.

O resultado depende de:

  • absorção;
  • transporte;
  • metabolismo da molécula;
  • tecido atingido;
  • fase fenológica;
  • estado hídrico;
  • oferta de carbono;
  • energia celular;
  • nutrição;
  • interação com outros sinais.

Uma auxina aplicada em um tecido com baixa disponibilidade energética não garante crescimento.

Uma substância que estimule citocininas não substitui uma limitação severa de nitrogênio.

Uma intervenção que aumente respostas associadas ao ABA pode conservar água, mas também reduzir entrada de CO₂ e crescimento quando a intensidade é excessiva.

A pergunta não deve ser apenas:

Qual hormônio estimula esta resposta?

Também é necessário perguntar:

A planta possui recursos, tecido competente e condições ambientais para executar essa resposta?

O momento pode ser mais importante que a dose isolada

A mesma intervenção pode produzir efeitos diferentes conforme:

  • horário;
  • temperatura;
  • estado hídrico;
  • radiação;
  • fase fenológica;
  • atividade dos drenos;
  • disponibilidade de carbono;
  • histórico recente de estresse.

Aplicar um regulador em uma planta metabolicamente ativa não equivale a aplicá-lo durante forte fechamento estomático, baixa fotossíntese, hipoxia radicular ou deficiência nutricional.

Uma dose correta aplicada em um momento fisiologicamente inadequado pode apresentar baixa resposta.

Alteração hormonal não comprova bioestimulação

Em estudos com bioestimulantes, é comum medir:

  • IAA;
  • ABA;
  • citocininas;
  • atividade antioxidante;
  • prolina;
  • fenólicos;
  • expressão de genes de estresse.

Essas variáveis são importantes, mas não comprovam isoladamente benefício agronômico.

A interpretação precisa seguir uma sequência:

Quando o estudo termina na alteração hormonal, ele demonstra um efeito bioquímico. Ainda não demonstra necessariamente uma vantagem para a cultura.

Crescimento e tolerância envolvem compensações

Aumentar continuamente mecanismos de proteção pode restringir produtividade.

Manter sinais de crescimento excessivamente ativos durante o estresse também pode acelerar:

  • consumo de reservas;
  • perda de água;
  • desequilíbrio oxidativo;
  • dano celular.

A meta agronômica não deve ser maximizar TOR, SnRK1, auxina, ABA, antioxidantes ou qualquer outro componente isolado.

O objetivo é favorecer uma resposta:

  • proporcional;
  • localizada;
  • reversível;
  • compatível com o estádio;
  • capaz de preservar produção e recuperação.
O melhor resultado não é a planta que mais ativa a defesa nem a que mais cresce. É aquela que ajusta o investimento sem perder a capacidade de retomar o crescimento e sustentar a produção.
Figura 4. Como interpretar uma intervenção hormonal ou bioestimulante
Figura 4. A resposta a um tratamento precisa ser interpretada considerando ambiente, estado metabólico, sinalização hormonal, processo fisiológico e consequência agronômica.

Conclusão

Hormônios e metabolismo não formam dois sistemas independentes.

Os hormônios ajudam a direcionar crescimento, defesa, reprodução e adaptação. O metabolismo fornece os precursores, a energia e os sinais que determinam se cada resposta poderá ser executada.

A sacarose e a T6P informam a disponibilidade de carbono. TOR favorece o investimento em crescimento. SnRK1 promove conservação e reciclagem quando a energia se torna limitada.

ABA, auxina, giberelinas, citocininas, etileno, jasmonatos, ácido salicílico, brassinosteroides e strigolactonas interagem com esses sistemas e modificam a distribuição dos recursos.

A resposta final não acontece no nível de um hormônio isolado. Ela surge de decisões locais, como:

  • abrir ou fechar um estômato;
  • manter ou suspender um meristema;
  • transportar ou armazenar sacarose;
  • produzir parede celular;
  • mobilizar reservas;
  • ativar defesa;
  • conservar energia;
  • sustentar ou abortar uma estrutura reprodutiva.

Para a agricultura, essa interpretação ajuda a explicar por que a mesma intervenção pode gerar resultados diferentes e por que avaliações exclusivamente hormonais são insuficientes.

A planta não escolhe simplesmente entre crescer ou se defender. Em cada tecido e momento, ela ajusta quanto recurso possui, qual risco enfrenta e qual resposta ainda consegue sustentar.

Em cinco pontos

  1. Hormônios e metabolismo formam uma rede bidirecional.
  2. Metabólitos podem atuar como recursos, precursores e sinais.
  3. T6P, TOR e SnRK1 conectam a disponibilidade de carbono à decisão de crescimento.
  4. A concentração hormonal não determina sozinha a resposta do tecido.
  5. Reguladores e bioestimulantes devem ser avaliados pela sequência mecanismo, função e resultado agronômico.

Perguntas frequentes

Qual é a relação entre hormônios e metabolismo vegetal?

Os hormônios reorganizam os fluxos metabólicos, enquanto açúcares, energia, nutrientes e estado redox modificam a produção e a ação dos hormônios.

O que são TOR e SnRK1?

São proteínas quinases que participam da interpretação do estado energético. TOR favorece processos de crescimento quando existem recursos, enquanto SnRK1 promove conservação e reciclagem sob limitação.

O que a trealose-6-fosfato indica?

A T6P funciona como sinal e reguladora do estado da sacarose, ajudando a conectar a disponibilidade de carbono ao desenvolvimento e à ação hormonal.

Por que a mesma aplicação hormonal pode produzir respostas diferentes?

Porque absorção, tecido, receptores, fase fenológica, água, energia, nutrição e interação com outros hormônios modificam a resposta.

A medição de hormônios comprova o efeito de um bioestimulante?

Não. A alteração hormonal precisa ser ligada a um processo fisiológico e, posteriormente, a crescimento, qualidade, produtividade ou recuperação.

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AF
Sobre o autor
André Ferraz

Engenheiro Agrônomo, especialista em Fisiologia Vegetal e Nutrição de Plantas. Escreve no Planta em Resposta traduzindo ciência em raciocínio aplicável ao campo.